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7 Lições para um “guarda-roupas funcional”Camila Penteado Cilento, blogueira 26 de novembro de 2009 |
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Quando eu estava em Nova Iorque tive a oportunidade de fazer algumas aulas no Fashion Institute of Technology (FIT). Eu descobri que a minha relação com o meu guarda-roupas estava em crise e eu precisava lidar com essa crise para poder voltar a me identificar com o que eu estava vestindo. Quando fiz essas aulas percebi que para recomeçar e conseguir visualizar o que realmente existia no buraco negro do meu guarda-roupa eu precisava colocar tudo para fora e abordar essa mudança de uma maneira realista. A grande verdade é que eu não tinha um “guarda-roupa funcional” e sim um “armário lotado de roupas”. Conto mais sobre isso adiante, mas vocês vão perceber que existe uma grande diferença entre os dois conceitos.
Acho que o vestuário feminino é uma das maiores ferramentas de individualidade que uma mulher pode ter, mas a única forma de conseguir se identificar com o que está lá dentro do seu armário é com ele organizado.”
Na época que terminei o curso, escrevi no meu blog sobre o assunto e fiz um resumo dos meus maiores aprendizados. No entanto, apesar de ter aprendido muito, como eu estava me mudando de volta para o Brasil, não consegui colocar nenhuma dessas lições em prática. Afinal de contas, o meu guarda-roupa ia enfrentar 2 meses dentro de um container no meio do oceano, então não tinha porque organizá-lo.
Recentemente me peguei lendo uma coluna aqui no Inana que é escrita por minha amiga, Paola Pipolo, e percebi que realmente precisava colocar o armário em ordem. Nessa coluna, a Paola falava exatamente sobre a organização de armários e dizia que “esse recurso pode ser visto como forma de promover bem estar e novas formas de enfrentar sua realidade e transformá-la podendo ajudar na cura, uma vez que favorece a tomada de consciência da própria personalidade, apropriação da identidade e aceitação de si mesma”. Concordo 100% com ela e aqui vão algumas lições que podem ajudar a enfrentar o tão temido guarda-roupa desorganizado.
Vocês já tiveram aquela sensação de que o seu closet está cheio de “peças orfãs”??? Orfãs são aquelas peças que vivem sozinhas e abandonadas, ás vezes são até bonitas e estão sempre na frente do armário implorando para sair, mas você simplesmente não consegue se vestir e sair com elas. Um “armário lotado de roupas” está cheio dessas peças orfãs e normalmente te dá uma sensação de que você tem muita coisa, mas ao mesmo tempo você continua sentindo que não tem o que vestir! Já um “guarda-roupa funcional” é o closet ideal, pois ele não tem peças orfãs e te apresenta muitas possibilidades de combinação e coordenação. Ele não precisa ser lotado e tem que ter um mix ideal entre tendências e roupas que simplesmente favorecem você! Temos todas que trabalhar racionalmente para chegar a um “guarda-roupa funcional”!
Pare para pensar sobre quais as roupas que estão no seu closet que realmente você usa. Seja fria e calculista nesse momento, e nada de pensar que você não usa uma determinada peça há milhões de anos, mas que vai usar um dia! Peças que normalmente estão nessa categoria de “absolutamente esquecidas” são peças que não cabem mais; ou que por alguma razão não caem bem; ou que não representam mais quem você é hoje, mas que te remetem a ótimas memórias; enfim vá em busca das verdadeiras peças orfãs. Depois de pensar nisso você por acaso chegou a conclusão de que você usa constantemente apenas 20% do seu closet, 80% do tempo? Definitivamente é o meu caso e nunca tinha parado para pensar nisso. O verdadeiro “guarda-roupa funcional” deveria quebrar esse conceito, aumentando a porcentagem das peças que você realmente usa e quem sabe chegar a uma proporção 50/50.
Uma vez ouvi também que uma forma de se analisar isso, para aquelas pessoas que tem dificuldade em racionalizar o armário, é virar todos os cabides do seu closet ao contrário, aí cada vez que você usar uma peça você volta o cabide para a posição normal. Depois de 6 meses pare e analise para ver quais cabides continuam virados ao contrário (com a abertura virada para fora, e não para dentro do armário como é o normal)! Essas peças que não tiveram seus cabides virados para o lado correto são aquelas que você, sem sombra de dúvida, não usa.
O verdadeiro “guarda-roupa funcional” tem uma proporção de 4 partes de cima (blusas, camisas, malhas…) para 1 parte de baixo (calça, saia, bermuda,…), portanto cada parte de baixo deve te dar pelo menos 4 possibilidades de coordenação. Isso não é uma regra absoluta, porque realmente não acho que fórmulas matemáticas trabalham tão bem no closet, mas acho que é uma idéia para se ter em mente, pois nos ajuda a perceber se falta no nosso closet algum tipo específico de peça! Comprar uma peça que não vai te proporcionar mais de uma possibilidade de combinação talvez não seja o ideal! Tenho que lembrar disso na hora das liquidações… Ter uma paleta de cores que funciona para o seu tom de pele é mais que ideal, mas ter um arco-íris dentro do armário pode não ser tão prático assim, então esse conceito da proporção ajuda também nisso: é melhor ter 1 peça colorida para cada 4 peças neutras. O mesmo para as estampas, é melhor ter 1 peça estampada para cada 4 peças lisas, afinal de contas quem tem um closet lotado de roupas estampadas pode ter um problema na hora de coordenar as produções!
É ideal que uma pessoa compre em dois momentos de cada temporada (primavera/verão e outono/inverno): uma vez no começo da temporada e uma vez no final da temporada na época das liquidações. Esse conceito ajuda bastante você a diferenciar o que realmente precisa do que você deseja em termos de tendências. A moda é realmente muito cíclica, mas num tempo em que tantas tendências morrem tão rápido quanto chegam as araras é preciso ter cuidado para não investir em peças sem ter a consciência de que pode ser que ela fique desatualizada rapidamente. No começo da temporada você deve fazer “compras investimento”: as peças adquiridas nessa primeira fase devem ser peças que realmente fazem falta ou que realmente vão ser usadas constantemente durante aquela temporada. Já na segunda compra, aquela do final da temporada, você deveria comprar “peças desejo”, que são aquelas peças que você deseja muito ter, provavelmente ligadas a uma tendência específica, mas que não valeriam a pena se fossem compradas com o preço cheio, e por essa razão você só faz esse tipo de investimento nas liquidações! Faz todo sentido não?
Existe uma diferença brutal entre as “peças investimento” e as “peças de tendência”! As peças que você mais usa em seu armário, deveriam ser as peças de maior qualidade, pois como você usa muito, não vai querer que essa peça estrague depois de 10 lavagens, não é mesmo? Então não adianta nada ter uma camisa branca sem qualidade e que vai ficar horrível num curto espaço de tempo… As peças chave do seu guarda-roupa não precisam estar presentes em quantidade, e sim num número ideal comparado a qualidade. As peças de tendência também não devem estar presentes em quantidade, pois fazem com que uma boa parte do seu guarda-roupa fique sempre morrendo e ressuscitando (nem sempre) constantemente. E não confundam qualidade com preço alto, apesar de serem dois conceitos que andam juntos em muitos casos, não são uma regra e tenho muitas peças muito boas e que não foram necessariamente caras, aliás foram uma verdadeira pechincha! Conclusão: um armário lotado e com muita quantidade certamente não é um “guarda-roupa funcional”! Então procure conhecer o que realmente está escrito nas etiquetas de suas roupas: tecidos de fibras naturais como algodão, lã, linho, costumam apresentar uma qualidade e durabilidade melhor, logicamente que se forem bem cuidadas. Preste atenção no acabamento e nas costuras, elas são bem diferentes em roupas de baixa qualidade e alta qualidade. Leia as etiquetas também para ter certeza quais devem ser os cuidados na hora da lavagem das suas peças, esse passo é super importante para assegurar que as peças durem o tempo que deveriam.
Toda mulher não vai errar ao investir nas seguintes peças: camisa branca, calça no seu melhor tom neutro e com o corte que mais te favorece (não digo preto porque o preto não necessariamente é o seu melhor neutro), calça jeans com o corte e tom que mais te favorece, um bom par de sapatos escuros no seu melhor neutro escuro, uma sandália dourada ou prateada, um conjunto de twin-set na sua melhor cor “colorida não neutra”, um trench-coat, uma echarpe na cores e estampas que te favorecem, um vestido básico no seu melhor neutro, uma seleção de camisetas entre os seus melhores neutros e cores “coloridas não neutras” e uma bolsa-investimento. Lógico que a lista se extende por léguas, o conceito aqui é se perguntar quais as peças que são chave no seu closet? Quando você responder essa pergunta vai saber quais são as peças que realmente valem o investimento!
Sempre tenha na sua agenda uma lista atualizada de bons profissionais que vão te auxiliar a manter o seu guarda-roupa em ordem! Toda mulher deve ter na agenda uma boa costureira para ajustar e consertar as suas roupas, um excelente sapateiro para deixar seus sapatos e bolsas sempre novos, um tintureiro confiável para mandar lavar aquelas peças que não podem nem sonhar com a máquina de lavar comum. Essa listinha deve estar colada na porta do seu armário e nada de ter preguiça de levar as peças para a manutenção! A maior dica aqui é sempre levar as peças para os profissionais assim que elas precisem, nada de ficar acumulando para economizar a viagem. Dessa forma você evita que as peças manchadas não consigam ser recuperadas; que certas peças fiquem para sempre na fila para serem usada, mas nunca saiam do armário porque o botão caiu, o zíper cedeu ou a barra não foi feita; e assim por diante.
Espero que essas lições ajudem nessa tarefa tão exaustiva quanto arrumar o seu armário é. Acho que o vestuário feminino é uma das maiores ferramentas de individualidade que uma mulher pode ter, mas a única forma de conseguir se identificar com o que está lá dentro do seu armário é com ele organizado. O “organizado” nesse caso não significa que você irá apenas dobrar todas as roupas em ordem de cores, se fosse só isso essa tarefa seria uma moleza! Na realidade estamos falando de um “guarda-roupa funcional” que torne a arte de se vestir muito mais simples e prazerosa! Acho que toda mulher devia tem em mente que não existe o certo ou errado, e sim apenas o que funciona ou não funciona.
Gostaria de agradecer a professora do FIT Carol Davidson que fez com que eu descobrisse um novo mundo dentro do meu closet.
Blog da Camila: I am leaving 2day
Camila Penteado Cilento, blogueira
Camila Penteado Cilento formou-se em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas no ano de 2005. Apesar de na vida real trabalhar no mercado financeiro, sua verdadeira paixão é a estética que encontra na moda, na decoração, na arquitetura e nas artes visuais. Em 2008, foi realizar o seu sonho e morar em Nova Iorque, aonde aprendeu que para viver de verdade é preciso ir a luta e conquistar os sonhos. No final desse mesmo ano começou um blog, “I am leaving 2day”, que fala sobre tudo o que descobriu vivendo seu sonho em versão realidade. Através do blog percebeu que escrever é uma das melhores formas de se colocar frente ao mundo e que consegue, assim, conversar e aprender com pessoas que estão tão distantes quanto estão perto.
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3 comentários para “7 Lições para um “guarda-roupas funcional””
erica disse...
valeu pelas dicas, tenho um guarda-roupa lotado de roupas q eu nao uso há uns tres anos, umas pq eu engordei, outras pq emagreci, enfim, já era pra eu ter dado fim nelas há mto tempo.
Ivan Almeida disse...
Ola!, Gostei muito das dicas irei colocar em prátia imediatamente, parabéns e obrigado!
Gabriele disse...
Camila, Adorei as dicas. Estou em uma viagem de 03 meses para estudos, mas como é nos EUA, impossível não aproveitar para fazer comprinhas!
Quando voltar ao Brasil vou ter de dar um jeito de reorganizar o closet até para achar lugar para as novas aquisições! Acho que pelo menos estou indo pelo caminho certo.
Gostaria de pedir permissão para colocar seu artigo no meu blog: superdicasdagabi@blogspot.com, pois achei muito interessante.
Abs., Gabriele