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A cirurgia de reconstrução das mamas no BrasilDr. Bernardo Nogueira Batista, cirurgião plástico 25 de outubro de 2010 |
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Olá leitoras!
Bem-vindas a coluna de cirurgia plástica.
Depois de um longo período estou escrevendo uma nova coluna. O motivo dessa longa ausência, de quase 70 dias, foram minhas tão aguardadas ferias! Passei mais de dois meses viajando pelos Estados Unidos e Europa.
Mas esse passeio foi mais do que só diversão. Durante a viagem visitei dois dos maiores centros de tratamento de câncer do mundo, o Memorial Sloan Kettering em Nova Iorque e o M.D. Anderson em Houston. Esses dois hospitais são considerados os melhores do mundo em tratamento de câncer, e são responsáveis por boa parte da produção científica relacionada ao assunto.
Nessas visitas tive a oportunidade de acompanhar os departamentos de cirurgia plástica desses hospitais, e resolvi dividir com vocês algumas das minhas impressões, ressaltando principalmente as diferenças entre o que nós fazemos aqui no Brasil e o que é feito por lá.
A boa notícia para nós é que em termos de técnicas e até resultados cirúrgicos, estamos muito bem. Mas, começando pelas diferenças, vamos falar das coisas que achei melhores lá.
Duas coisas me impressionaram muito enquanto estive por lá. A primeira é a organização dos hospitais. Tudo funciona muito bem, e a disponibilidade de materiais e tecnologia é impressionante. Mas porque aqui é diferente? A principal causa disso, no meu ponto de vista, é que lá toda a medicina é particular, ou seja, gera lucro. Tudo é pago pelo paciente ou pela companhia de seguros. E a conta é bem cara. Não é a toa que eles têm uma das medicinas mais caras do mundo. A segunda, e essa é a que mais me impressionou, é a constante busca pelo desenvolvimento de conhecimento. Não é a toa que esses hospitais publicam muito nas revistas científicas em todas as áreas médicas. No Brasil, por uma limitação de recursos e principalmente pela falta de estímulo, nós ainda não conseguimos desenvolver essa mentalidade de pesquisa, a exceção de alguns grandes centros universitários e mais recentemente alguns dos maiores hospitais particulares do país. Isso é importante para ganhar respeito na comunidade médica internacional, e embora seja importante reconhecer os esforços dos poucos centros do país que tentam desenvolver essa mentalidade, ainda estamos muito longe deles.
Por outro lado, algumas coisas me decepcionaram enquanto estive por lá. A coisa que mais me chamou a atenção foi a impessoalidade do atendimento medico. O constante risco de processo medico nos Estados Unidos é um sério problema, e transformou a relação medico – paciente em um relação comercial baseada em estatísticas e exames radiológicos e laboratoriais, muitas vezes caros e algumas vezes desnecessários. Além disso, por termos alma latina, vejo que somos um povo muito mais caloroso e acolhedor. Isso transparece nas nossas relações interpessoais no dia a dia, assim como nas relações entre médicos e pacientes.
Mas, como já disse antes, tecnicamente não vi nada que nós não fazemos aqui no Brasil, e os melhores resultados que vi por lá não deixaram nada a desejar aos melhores resultados que vi por aqui, de vários médicos e serviços diferentes.
Por isso podem ficar tranquilas! Existem diferenças sim entre a nossa medicina e a deles. Algumas coisas são piores mas algumas são melhores. Ver que as diferenças são muito menores do que sempre acreditei que fossem me deixou muito feliz, e certamente voltei um pouco mais orgulhoso do meu país!
Até a próxima coluna!
Dr. Bernardo Nogueira Batista, cirurgião plástico
Médico formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 2005. Residência de Cirurgia Geral (2006/7) e Cirurgia Plástica (2008 a 2010) no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É o atual médico preceptor da Divisão de Cirurgia Plástica e Queimaduras do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, onde atua em diversas áreas que envolvem reconstrução em pacientes com câncer.
Todo o conteúdo do Portal Inana não têm como objetivo ser um conselho médico ou substituto ao tratamento julgado adequado pelo seu médico.
O objetivo do Inana é disseminar informação e possibilitar trocas de experiências.
Orientamos que todas as decisões referentes ao tratamento sejam tomadas pela paciente e por seus médicos.
6 comentários para “A cirurgia de reconstrução das mamas no Brasil”
Lilian Arguello disse...
Dr. Bernardo, que bom que voltastes, e melhor ainda que tenhas vindo orgulhoso de nosso país, e de nossa humanidade, por mais precária que seja a saúde no país, as pessoas deviam ter conhecimento que em outros paises, não existe saúde pública, apenas a que pode pagar.
Se me permite, eu gostaria de lhe perguntar sobre a reconstrução, eu fiz mastecxtomia radical a 2 meses, tinha um câncer ductal infiltrante inflamatório, meu tumor tinha, quando retirado 13 cm e 5 dos 14 linfonodos estavam afetados, ainda tenho seroma e vou fazer rádios. Termino até o natal, eu gostaria de saber porque tenho que esperar tanto pra fazer a reconstrução, meu médico disse de um a dois anos. E se as cirurgias feitas pelo sus deixam a desejar das particulares. Um abraço e bem vindo!!!!
Claudia Pimentel disse...
Dr. Bernado,
Fiz mastectomia radical na mama direita em maio/09, fiz quimio, radioterapia e uso tamoxifeno como tratamanto complementar. Agora estou querendo fazer a reconstituição da mama, mas tenho muitas dúvidas quanto ao melhor método a ser utilizado. Estou com medo do resultado quanto ao pós-cirurgico e cicatrizes, pois fiquei com um linfoedema no braço e não gostaria de ter que conviver com mais sequelas cirurgicas.
Obrigado e seja bem vindo!
Dr. Bernardo disse...
Cara Lilian,
não existe uma regra fixa para o intervalo entre a mastectomia e a reconstrução. Normalmente, após 6 meses do final da radioterapia já é possível fazer a reconstrução, mas essa decisão deve levar em conta vários fatores individuais de cada caso, e deve ser discutida com seu médico
Quanto a comparação entre as cirurgias do SUS e particulares, se você comparar bons médicos, a única diferença é que não tem fila quando vc está pagando, e a cirurgia pode ser feita assim que o seu tratamento permitir.
Boa sorte no seu tratamento e não deixe de conversar com seus médicos.
Dr. Bernardo
Dr. Bernardo disse...
Olá Claudia,
Fico feliz que esteja querendo fazer a reconstrução da sua mama agora. É uma etapa importante do tratamento e tenho certeza que você vai ficar muito satisfeita.
O melhor conselho que posso te dar é que você procure um cirurgião plástico que trabalhe com reconstrução de mama, e discuta com ele as opções para você. É necessário examiná-la e conversar bastante para poder escolher o melhor método pra você. Se preferir, veja dois ou três, o suficiente para encontrar um com quem você se identifique e possa confiar.
O linfedema é realmente uma complicação chata e dificil de tratar. Mas foi um mal necessário para curar sua doença. Boa sorte!
Att,
Dr. Bernardo
iracema ferreira de jesus disse...
DR BERNADO A UM ANO FIZ A RETIRADA E A RECONSTRUÇAO DA MAMA NAO FIZ RADIO NEN A QUIMIO MAS APOS ALGUNS MESES FIQUEI COM UNS NODULOS PARECENDO UMA HERNIA ABAIXO DOS SEIOS ATE REGIAO DO UMBIGO ,QUE DOI QUANDO ANDO MUITO OU FAÇO ALGUNS TRABALHOS DE CASA MEU MEDICO PEDIU PRA QUEEU FIZE SE UM ULTRASOM QUE CONTATOU SE QUE ERA LIQUIDO ENTAO ELE DISSE QUE IA ENTRAR EM CONTATO COM O MEDICO DO ULTRASOM E DEPOI ME LIGAVA MAS SAIU DO CONVENIO E NEM ME LIGOU VOU TORNAR A ENTRR EM CONTATO COM ELE . GOSTARIA QUE ME RESPONDE SE POIS ACHO QUE NAO DEVE SER LIQUIDO POIS DOI MUITO. DESDE JA AGRADEÇO SUA ATENÇAO OBRIGADO .
Dr. Bernardo disse...
Cara Iracema,
difícil dizer o que é sem examinar você. Procure seu médico e se ele não estiver mais no seu convênio você provavelmente terá que pagar uma consulta.
O ultrassom de abdome costuma ser um bom exame para avaliar esses nódulos.
Boa sorte.
Att,
D. Bernardo