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Falando de MorteVera Anita Bifulco, Psicóloga Clínica 11 de dezembro de 2009 |
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Morrie Schwartz
A morte não existe, o que acontece é uma passagem de um nível de consciência para outro nível de consciência. Fechamos os olhos para um tipo de vida e renascemos para outro tipo de vida. Na verdade sofremos a ausência das pessoas que se vão ao morrer, sofremos o não mais ver, o não mais conviver, o limite de nossos olhos, nossos sentidos, sofremos pela falta física dos seres que amamos.
Apesar de nosso amor, não podemos impedir a morte dos que amamos, é esse sentimento de impotência que nos fere. Na idade Média, os homens viviam um tempo médio de vida de aproximadamente 30, 35 anos. Aceitavam as coisas da natureza, os ciclos de vida, se espelhavam na natureza e aceitavam que, assim como a semente, os animais e todos os seres viventes, nasciam, cresciam, se reproduziam e morriam, com eles era a mesma coisa, e a morte era tratada com a mesma naturalidade do nascimento.
O risco não está em morrer, mas sim em viver, viver é correr riscos”
Foi com a sociedade de consumo que o homem passou a ser valorizado na medida de sua produção, “valho enquanto produzo”, perco meu papel social na medida que sou improdutivo. Nesse contexto, o velho, o moribundo, o doente perdem seu valor. Isso é terrível, pois não somos máquinas, somos seres humanos com valores, sentimentos, talentos, aptidões e amor. Aprendemos muitíssimo ao ficar perto dos que estão próximos à passagem, eles resignificam a vida e fazem emergir de seu interior os valores reais da existência. Atualmente estamos em um mundo de efetividade e não de afetividade.
Um mundo que valoriza o fazer, a técnica, tudo o que é da ordem da eficácia, da rentabilidade, em detrimento da afetividade. Assim as pessoas se sentem desprovidas diante dos que sofrem, pois a morte nos coloca frente ao inevitável, nos coloca frente aos nossos limites. O ideal seria aliar a competência técnica à qualidade humana.
As pessoas vivem durante toda vida o medo da morte, o medo limita a vida e ter a vida limitada pelo medo é vive-la pela metade, ou seja, pelo medo de morrer não vivemos. Deveríamos ter em mente ao acordarmos todo dia que somos seres mortais, com certeza viveríamos mais plenamente cada átimo de nossa existência pela consciência deste fato.
O risco não está em morrer, mas sim em viver, viver é correr riscos. Em contra partida, quem nunca se arriscou nunca fez nada de interessante. O dilema não está na morte, pois ela nada mais é do que a finalização de uma existência, a morte fecha o ciclo da vida, o dilema é pensar na vida que levamos, levamos uma vida plena, satisfatória, com qualidade de vida ou é a vida que nos leva.
Na minha experiência prática com pacientes fora de recursos terapêuticos de cura, mas não de cuidados, pude observar que as pessoas que viveram suas vidas plenamente foram felizes quando a vida os chamou para a felicidade, sofreram perdas, mas também brindaram conquistas, se propuseram a seguir metas, umas possíveis, outras não, essas pessoas passaram o portal da morta com a certeza de uma vida plenamente vivida, já os que não se arriscaram, viveram uma vida tolhida, de medo e sem realizações, esses buscam até o último minuto de vida reaver a vida não vivida, como a buscar o tempo perdido.
O segredo de uma boa morte é ter tido uma vida feliz.
Vera Anita Bifulco, Psicóloga Clínica
Psicóloga Clínica. Coordenadora do Serviço de Psico-Oncologia do Instituto Paulista de Cancerologia (IPC) e Clínica Sainte Marie. Mestre em Ciências da Saúde e Educação pelo CEDESS-UNIFESP e co-autora do livro: Câncer: uma visão multiprofissional. Diretora da SBPO.
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2 comentários para “Falando de Morte”
renan neves de souza disse...
geralmenete nao tenho medo de nada so de deus e pior da morte mas me alegrou muinto em ler sua pstagem melhorei bastante obrigado espero contatos
renan neves de souza disse...
chorei ao ler ceu comentario obrigado mil beijos com respeito claro