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Os sentimentos no tratamentoMaria Leticia C. Rotta Barsotti, psico-oncologista 27 de novembro de 2009 |
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Cara leitora,
Você que recebeu o diagnóstico de câncer, que ainda nem conseguiu entender direito o que o médico falou e que de repente teve a sensação do mundo desabar, de ficar sem chão.
Saiba que estamos do seu lado e sabemos o quanto esse momento é difícil. Através do Portal Inana, estaremos fornecendo informações importantes e que poderão ajudá-las neste processo de luta.
É muito importante olhar e trabalhar os sentimentos porque como você se sente pode afetar em como se vê, como vê a vida e que decisão tomar no tratamento.”
É importante seguir o tratamento cuidando dos aspectos físicos, mas também dos aspectos emocionais, espirituais e sociais. Falaremos dos aspectos emocionais!
É fundamental cuidarmos dos sentimentos e emoções durante o tratamento, pois isso interfere na maneira em que você enfrentará a doença e o tratamento. Muitas vezes, você pode se sentir culpada por estar doente. Isso pode fazer com que se esforçe e até se cobre muito para ter “pensamentos positivos” o tempo todo. É comum ouvirmos “Você tem que ser forte”, “ tem que se esforçar” essa sensação de cobrança pode vir da família, amigos, médicos e também de você mesma.
Tristeza, culpa, medo, ansiedade, insegurança e raiva são sentimentos pertinentes e até esperado no processo de adaptação ao momento atual que você está vivendo. Receber o diagnóstico de câncer é mudança muito grande na vida! Tentar ignorar esses sentimentos ou não conversar com outras pessoas sobre isso, pode gerar uma sensação de solidão e desamparo.
Outro fator, é querer acreditar que o poder da mente pode controlar a doença. Pode até ser uma forma confortável e segura diante do risco de uma doença grave. Mas se isso fosse verdade você também poderia, com o poder da mente, parar o crescimento do câncer. A parte não muito favorável desta forma de pensar e acreditar é que quando o tratamento não vai bem, pode se culpar pelo curso do tratamento, por não ter se esforçado.
É importante lembrarem que ninguem “merece” o câncer. Receber o diagnóstico é muito dificil e ter que enfrentá-lo não é nada fácil. Por isso, a partir de agora, você tem que analisar com suas próprias crenças e experiências o que a doença significa para você, o que pode te ajudar nesse processo e como enfrentá-lo.
Talvez sinta necessidade de se aproximar da religião, ter fé ou se aproximar dos seus valores pessoais e familiares e encontrar o verdadeiro siginificado da vida.
Claro, que tudo isso é um grande desafio.
O câncer afeta seu corpo e isso mexe com suas emoções e sentimentos. Sua atitudes, sentimentos e humor podem variar de momento para momento. Você pode se sentir bem num dia e não tão bem no próximo. Saiba que isso é normal, mas com o tempo, a maioria das pessoas se ajustam e se adaptam com o diagnóstico e com o tratamento.
Pode ser que você sinta necessidade de uma ajudinha profissional extra, como um psico-oncologista ou um suporte de grupo para aprender a enfrentar o câncer da melhor forma. O importante é você ficar atenta e perceber o melhor suporte para você, para que se sinta o melhor que puder e tenha a melhor qualidade de vida possível.
É muito importante olhar e trabalhar os sentimentos porque como você se sente pode afetar em como se vê, como vê a vida e que decisão tomar no tratamento.
Lembre-se você pode não conseguir mudar muitas coisas na sua vida, mas concentre-se em o que você pode mudar para sentir-se melhor.Encontre modo de expressar seus sentiemtos, e se dê oportunidades.
Maria Leticia C. Rotta Barsotti, psico-oncologista
Psicóloga, Psico-Oncologista pela Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia. Scholar e Assistente de Pesquisa em Psico-Oncologia pelo Memorial Sloan Kettering Cancer Center-New York/NY. Scholar da American Cancer Society University. Especialista em Psicologia da Saúde pela Associação Latino Americana em Psicologia da Saúde. Psicóloga do Centro de Combate ao Câncer (CCC) e da área de oncologia do Hospital Albert Einstein. Especialista em Psicologia Clínica pelo Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira”. Coordenadora do setor de Psicologia da Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC).
Todo o conteúdo do Portal Inana não têm como objetivo ser um conselho médico ou substituto ao tratamento julgado adequado pelo seu médico.
O objetivo do Inana é disseminar informação e possibilitar trocas de experiências.
Orientamos que todas as decisões referentes ao tratamento sejam tomadas pela paciente e por seus médicos.