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Quando alguém que você ama está com câncer

Dr. Jose Marcus Rotta, neuro-cirurgião

16 de março de 2010

Para quem está com saúde, adoecer parece ser algo remoto. Muitas pessoas não imaginam que isso possa acontecer com elas e, assim, não compreendem a dimensão dos sentimentos de alguém que recebe um diagnóstico de câncer.

Nossa forte tendência a dar palpites pode acabar cortando o canal de comunicação com o doente.

O câncer afeta diversos aspectos da vida do paciente, que passa a ter medos e inseguranças nunca antes imaginados. Por isso, conversar com uma criança ou familiar que está com câncer não costuma ser fácil. Mas, quase sempre, tudo que ele mais quer é falar.

Algumas sugestões para ser um bom ouvinte:

Ouvir de um ente querido que ele está sofrendo é muito doloroso. Fugir da situação é mais fácil, mas não é bom para nenhum dos dois. Ouça o que o paciente tem a dizer e, mas do que isso: demonstre que está com tempo e vontade de escutá-lo.

Ouça sem preocupa-se em responder. Não existe uma resposta certa. Se você não sabe o que dizer, é sinal de que não há o que dizer. Nessas situações, um olhar de compreensão pode significar mais do que as palavras podem expressar.

Nem sempre o doente quer falar. À vezes ele prefere conversar sobre assuntos amenos, como o capítulo da novela ou um jogo de futebol. Isso não significa que ele não o considere um bom confidente, apenas que, naquele momento ele não está disposto a abordar a doença. Por mais ansioso que você possa estar a respeito da saúde do paciente, não faça perguntas ou insinuações que o levem a tocar no assunto. Se quiser, ele vai contar. Caso contrário mantenha o diálogo normalmente e demonstre-se interessado na conversa.

Se você entende o que o doente quer dizer, faça com que ele se certifique disso. Diga que pode imaginar o que ele está sentindo. Caso você não compreenda seus sentimentos, é melhor ficar em silêncio do que tentar minimizá-los. Dizer “isso não é nada” ou “poderia ser pior” fará com que o paciente se sinta incompreendido.

Se o paciente deseja falar sobre suas dores mais profundas, procure ouvi-lo sem interromper. Se você perceber que não tem estrutura para aguentar, é preferível dizer francamente que não está preparado, do que simplesmente mudar o rumo da conversa ou fazer de conta que não entendeu. Esse tipo de atitude pode fazer com que o paciente se sinta solitário.

Nossa forte tendência a dar palpites pode acabar cortando o canal de comunicação com o doente. O ideal seria ouvir sem opinar, a não ser quando solicitado. Mesmo sabendo disso, muitas vezes nos pegamos falando demais. Se estiver certo de que sua opinião poderá ajudar o paciente, comece perguntando-lhe se ele já pensou a respeito da idéia que se deseja a transmitir-lhe. Nunca diga “se eu fosse você”, pois você é você.

Muitos acreditam que o humor não combina com tristeza, que não fica bem dar risada quando alguém está doente. Entretanto, o humor pode ser de grande ajuda para lidar com nossos maiores medos. O riso serve para aliviar situações de estresse e afastar pensamentos negativos. Caso o paciente faça piadas a respeito de sua própria doença, mesmo que lhe pareçam de mau gosto, aceite-as; entre na brincadeira, pois assim estará ajudando-o a enfrentar seus momentos difíceis. Isso não significa que você deva tomar a iniciativa de brincar com o assunto; deixe que ele conduza o tom da conversa.

Por mais que tente, é possível que você jamais consiga compreender exatamente o que se passa na cabeça de alguém que está com câncer; mas aceitar suas reações assim mesmo já é uma forma de facilitar a comunicação entre vocês. Dedicar algum tempo para estar ao lado de alguém doente, fará bem para ambos.

Dr. Jose Marcus Rotta, neuro-cirurgião

Diretor do serviço de Neurocirurgia do Hospital do Servidor Público Estadual “Francisco Morato de Oliveira”. Presidente eleito da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia. Presidente do Capítulo de Neuro-oncologia da Federação Latino Americana de Neurocirurgia. Presidente do Conselho Deliberativo da Associação de Apoio à Criança com Câncer (AACC). Professor visitante e pesquisador associado do departamento de Neurocirurgia, disciplina de Neuro-oncologia da Universidade de Washington. Pesquisador associado do departamento de farmacologia da disciplina de quimioterapia da Universidade de São Paulo (USP); Membro do Congresso de Neurocirurgia (CNS).

3 comentários para “Quando alguém que você ama está com câncer”

  1. SALETE disse...

    minha irma retirou um tumor do seio e depois da biopsia e que o medico falou que era maligno.Ela ta desesperada e sente dores,a cidade onde moramose tudo muito lento e a doença e rapida demais.quando ela descobriu o nodulo estava bem pequeno mas enquanto aguardava a cirurgia ele cresceu demais e mesmo assim foi feita a cirurgia sera que isso contribuiu para o resultado final?

  2. maria Mercedes Cordeiro disse...

    Sou mãe de Sara e Octaviano, tenho um neto lindo e um marido companheiro. Em fevereiro de 2010 retirei um carcinoma ductal infiltrante na mama esquerda, não chorei, fiz tudo que os médicos recomendarão radio 30, quimioterapia 06 foi tudo um sucesso. Em fevereiro desse 2012 o câncer recidivou, já retirei que restava do peito, e não consigo me abalar, tenho uma família generosa, não gostam de falar sobre o assunto, o que me incomoda muito tenho vontade de planejar minha vida, falar coisas bobas até, mas me colocaram numa redoma mas vou dar um jeito de sair dela acho muito importante falar principalmente com pessoas como eu.Acho que se tivesse mais liberdade eu seria útil e feliz por que câncer peito é bobagem, câncer na alma que também já tive esse dói demais.
    Obrigada por esse espaço, foi bom falar um pouco.

  3. neusa disse...

    Faz um mês que o grande amor da minha vida foi para o Pai.Tinha LMC.Fazia tratamento e achei que isto bastasse,até q de crônica a leucemia passou para a fase aguda.Três dias internado!!Foi um golpe pra toda a família.Ele tinha apenas 45 anos, e era o meu namorado de longa data.A fé q ele tinha tem me ajudado a superar essa fase sofrida. A saudade dói, e muita!!Mas vou continuar a trabalhar na divulgação e esclarecimentos sobre o processo de doação de medula óssea.

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